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sábado, 30 de abril de 2011

O segredo está na formação da equipe


De nada adianta um tema de grande relevância, com uma revisão competente da literatura, um objeto de estudo bem delimitado, uma fundamentação conceitual consistente, hipóteses de trabalho instigantes, metodologia e procedimentos adequados e planejamento correto do cronograma sem uma equipe de trabalho capacitada para desenvolver o projeto de pesquisa nos prazos e condições pré-estabelecidos. Nos casos mais simples a equipe se resume ao pesquisador e ao orientador com atuação em um mesmo laboratório enquanto nos mais complexos as equipes, muitas vezes, envolvem dezenas de pesquisadores, alocados em instituições ou países diferentes. A execução de um projeto pressupõe a montagem de uma equipe de trabalho o que requer a tomada de alguns cuidados que iremos sistematizar na forma de regras básicas:

Regra 1: A existência de um líder capaz de coordenar todo o processo de produção de conhecimento proposto pelo projeto que será desenvolvido. O líder deve ter reconhecida competência científica e capacidade de gerenciar as crises muito comuns ao longo da execução das diversas tarefas propostas no cronograma. Nos projetos mais simples (iniciação científica, mestrado e doutorado) os líderes são os orientadores; nos projetos mais complexos e integrados as variáveis para a definição da liderança vão muito além da simples relações orientador-orientando, dependendo dos acordos entre as diversas instituições envolvidas.

Regra 2:  Além de uma liderança científica consolidada o desenvolvimento com sucesso de um projeto de pesquisa passa pela incorporação à equipe de profissionais qualificados para responder pelas tarefas especializadas de nível técnico ou de gerenciamento.  A conclusão de um projeto requer a execução de dois tipos de trabalhos: os científicos e os técnicos. Menos relevantes do ponto de vista científico, as tarefas técnicas são essenciais para alcançar os resultados previstos e para o término das atividades dentro dos prazos estabelecidos.

Regra3:  A necessidade de que exista entre os membros da equipe uma sintonia plena do ponto de vista dos objetivos  gerais propostos.  Os objetivos específicos podem e, na maioria da vezes, variam de pesquisador para pesquisador, mas dentro de uma mesma equipe todos devem atuar para atingir objetivos gerais idênticos.

Regra 4: A definição clara de tarefas e atribuições entre todos os membros de equipe de modo que se possa cobrar resultados e o cumprimentos dos prazos estabelecidos de acordo com o cronograma. Evitar ao máximo que a ambigüidade na designação das tarefas impeça a atribuição de responsabilidades em caso de descumprimento dos prazos ou de erros detectados ao longo do trabalho.

Regra 5: O respeito das hierarquias existentes entre os diferentes membros da equipe de trabalho. Como uma atividade de natureza coletiva, o processo de produção de conhecimento pressupõe o reconhecimento dos diferentes níveis de competência de cada um dos pesquisadores. O resultado final depende sempre de uma harmonia entre todos os participantes da equipe, cada um complementando a tarefa realizada pelos outros colegas.

Com um abraço,

Elias.

sábado, 16 de abril de 2011

Tudo passa por um bom cronograma

Quanto mais experiente, mais o pesquisador dedica tempo para a elaboração do cronograma.  Não se deve pensar que concluídas as fases mais conceituais como revisão da literatura, definição do objeto, elaboração das hipóteses e metodologia, tudo está resolvido. As chamadas etapas mais técnicas de execução do projeto – cronograma, orçamento e definição da equipe -  são tão importantes quanto as outras mais abstratas. Em um projeto de pesquisa as deficiências de uma etapa sempre trarão conseqüências para a conclusão das demais e não se pode tratar de forma superficial e instrumental etapas que cumprem uma função estratégica para o término dos trabalhos no prazo estabelecido. 

O cronograma de um projeto antes que uma simples atividade burocrática representa uma síntese das diversas etapas da pesquisa. Em um bom projeto o cronograma deve ser em primeiro lugar exeqüível. Através do cronograma se pode verificar em que medida o responsável pela proposta consegue distribuir o tempo, os recursos técnicos, financeiros e humanos ao longo do prazo disponível. Ao mesmo tempo que revela a capacidade de planejamento de quem coordena o projeto, o cronograma possibilita um melhor acompanhamento para garantir a execução do que estava previsto.

Como em um projeto de pesquisa a definição de cada uma das etapas pressupõe uma elaboração conceitual prévia, cabe chamar a atenção que deve se evitar ao máximo desvincular o cronograma do núcleo central do projeto, relegando esta fase a uma espécie de apêndice. Muito pelo contrário.  O cronograma necessita refletir um planejamento criterioso para garantir o máximo de eficiência na administração dos recursos disponíveis para alcançar os objetivos e as metas propostas, através da aplicação da metodologia e dos procedimentos selecionados.  A definição correta do cronograma passa pela delimitação das atividades, da sequência das tarefas desenvolvidas e pela distribuição dos trabalhos entre os membros da equipe. Como se pode ver, tudo depende do cronograma.

Um bom cronograma exige um certo grau de flexibilidade que permita uma margem de adequação em caso de necessidade de remanejamento da sequência original proposta. É pela diversidade das fases, pela lógica da sequência existente entre as diversas etapas e pelo grau de ajustes possíveis entre estes diferentes momentos de realização da pesquisa que se pode identificar a complexidade do planejamento de um projeto. Se for muito rígido o cronograma pode inviabilizar a execução plena do projeto se ocorrer um imprevisto, o que na maioria das vezes, é inevitável. Em contrapartida, caso seja muito flexível, o cronograma pode se transformar em uma armadilha para os executores do projeto porque contribui para desconstruir a racionalidade existente entre as etapas, a sequência das operações e a sincronia das tarefas desenvolvidas pelos pesquisadores da equipe.

Com um abraço,

Elias.

domingo, 10 de abril de 2011

As funções da descrição na pesquisa aplicada

Como vimos na postagem anterior, a descrição representa apenas uma etapa intermediária na produção do conhecimento científico. Antes de existir como um fim em si mesma, a descrição deveria possibilitar a coleta de dados e informações para viabilizar as fases mais abstratas de elaboração das categorias de análise e definição dos conceitos. Se existe pouca bibliografia sobre os limites da descrição na pesquisa científica de caráter teórico em Jornalismo, são ainda muito mais raros os textos de referência sobre a descrição na pesquisa aplicada, destinada à transformação dos conhecimentos puros em inovação na forma de produtos, processos, técnicas, tecnologias, linguagens, formatos, protótipos, etc...

Em primeiro lugar, cabe esclarecer que a pesquisa aplicada pressupõe a pesquisa pura.  Nas sociedades contemporâneas o pleno desenvolvimento social depende que, ao menos uma parte do conhecimento científico puro, seja traduzido em inovações.  Neste contexto, o circuito do conhecimento passa pela pesquisa pura, pela pesquisa aplicada e pela inovação. Cada uma destas etapas deve estar em plena articulação com as outras de modo a que se possa retroalimentar continuamente o sistema de produção do conhecimento.  Na área de Jornalismo existe um déficit de pesquisa aplicada porque a maioria das pesquisas realizadas ou são meramente descritivas, pré-teoréticas, ou porque, mesmo quando produzem conhecimento teórico de alto nível, são incapazes de estabelecer relações com os setores produtivos da sociedade para desenvolver inovações.

Na pesquisa aplicada a descrição desempenha diversas funções ao longo do processo de transformação do conhecimento puro em aplicação que atenda uma demanda social concreta. O primeiro momento é o da descrição do produto, processo, técnica, tecnologia, formato ou protótipo projetado e das funções que cada um dos membros da equipe envolvida no processo de produção vai ocupar. A inexistência da descrição detalhada do que se pretende produzir e das funções de cada um dos membros da equipe simplesmente inviabiliza o começo do desenvolvimento. Uma vez iniciada a produção, cada uma das etapas deve ser descrita para que se possa compreender as particularidades, limitações e descobertas ocasionais durante as reuniões de avaliação do projeto.

Como o desenvolvimento em si e os produtos, processos, técnicas, tecnologias, formatos ou protótipos são etapas inter-relacionadas na cadeia de produção de conhecimento, a descrição de cada uma destas fases fornece os elementos para a sua plena compreensão, avaliação e, sempre que for o caso, redefinição. Na medida que avança o processo de produção das inovações a equipe responsável pelo projeto aproveita a própria experiência para refletir conceitualmente e para definir e repensar as estratégias metodológicas adotadas. Nenhum destes momentos pode ser executado sem uma descrição do que aconteceu, como, em que condições e o tipo de resultado obtido. Se, por um lado, as descrições das ações singulares são insuficientes para chegarmos ao conhecimento conceitual, de natureza universal e abstrata, por outro, os aspectos captados pelas descrições singulares são um pressuposto para definição das categorias de análise e para a elaboração dos conceitos.   

Com um abraço,

Elias.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Limites da descrição na pesquisa científica

Quem analisa projetos, orienta alunos e participa de congressos percebe que cada vez mais falta aos jovens e, em muitos casos, aos pesquisadores mais experimentados, o pleno domínio do processo de produção do conhecimento científico. Uma boa parte destes trabalhos permanece na simples descrição dos objetos estudados, sem chegar ao nível conceitual e menos ainda à proposição de teorias.

Entre os vários tipos de conhecimento existentes: o do senso comum, o artístico, o religioso, o jornalístico, o filosófico e o científico, o que caracteriza este último é a utilização dos conceitos para a definição e a descrição das características dos objetos sistemática e metodicamente investigados.  Se, por um lado, trabalha na esfera dos conceitos, por outro, o conhecimento filosófico é mais antigo e apresenta diferenças quando comparado com as práticas científicas constituídas na Modernidade, principalmente no caso das exigências de experimentação sistemática e no desenvolvimento de inovações, permanecendo no âmbito da argumentação lógica e da análise crítica das proposições e teorias.

Na pesquisa científica a descrição representa um meio para um fim que se atinge com a produção de categorias de análise e na elaboração dos conceitos. A sistematização dos conceitos leva a proposição de teorias que, quando diversificadas e consolidadas, a partir da definição de um objeto e de métodos e procedimentos, dão origem às disciplinas. O conjunto articulado de disciplinas constitui uma área ou uma grande área de conhecimento. A produção de conhecimento científico pressupõe o uso de métodos e procedimentos e uma série de etapas que são variáveis de caso a caso e de uma disciplina para a outra.

Nestas diversas etapas a descrição cumpre com diferentes funções. Nas fases preliminares de análise de possíveis objetos para a amostra do estudo possibilita definir particularidades, regularidades e rupturas; durante a pesquisa permite identificar procedimentos, ambientes, ações e reações, comportamentos, processos, produtos, formatos, protótipos, linguagens, técnicas, tecnologias, etc... e, finalmente, nos relatórios e nos trabalhos acadêmicos (artigos, monografias, dissertações e teses), uma vez sistematizada através de abstrações teóricas, contribui para dar forma às categorias de análise, aos conceitos e a ilustração de argumentos para a formulação de teorias. 

Enquanto procedimento que se incorpora as diferentes etapas de produção do conhecimento científico, a descrição - por si mesma  - não pode ser vista como um fim porque opera no nível pré-conceitual e pré-teorético. Sem a prévia abstração que possibilita identificar traços invariáveis existentes em determinado objeto, produto ou processo, a simples descrição, por mais completa que seja, está confinada aos limites exteriores do caso específico, ficando aquém das categorias de análise e dos conceitos, que são o ponto de partida para o que, em termos acadêmicos,  se convencionou definir como conhecimento científico. 

Com um abraço,

Elias.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Orientações básicas para um bom resumo

Certa vez, quando era estudante de ensino médio, meu professor fez uma pergunta em classe: por onde se começa a ler um livro? A maioria respondeu que pelo título ou pela introdução. O professor recomendou que antes deveríamos consultar a bibliografia. “Se não revisou a literatura de referência, em geral, não vale o esforço da leitura”, alertou. Quem consulta trabalhos acadêmicos, antes de mais nada, avalia os resumos e, a depender da estrutura, da qualidade do estilo e das informações contidas, não vai muito além na leitura do artigo, monografia, dissertação ou tese. Se quiser aumentar a probabilidade de difusão e aceitação de suas obras e facilitar a vida de pesquisadores, bibliotecários e avaliadores é recomendável ter alguns cuidados formais e estilísticos na elaboração dos resumos.

A estrutura padrão mínima de um resumo pressupõe cinco elementos básicos:  1) título; 2)definição do tema ou do objeto da pesquisa; 2) objetivos; 3) metodologia em caso de pesquisa empírica ou referencial teórico utilizado; 4) resultados da pesquisa e 5) palavras-chave. Em caso de resumos de projetos dispensa-se o quarto ponto porque, obviamente, não se pode antecipar as descobertas de uma pesquisa que sequer foi desenvolvida. Destes cinco elementos, em geral, na área de Jornalismo os mais adotados são a definição do tema ou objeto e os objetivos. Uma boa parte dos colegas ainda esquece da necessidade de incluir a metodologia e/ou referencial teórico empregados e ainda são raros os casos de resumos com a estrutura formal completa, com a apresentação dos resultados alcançados.

Um resumo começa por um bom título. O título deve apresentar e delimitar o objeto de estudo e os objetivos ou resultados da pesquisa. Nada impede que para atrair a atenção o título seja mais conotado, desde que se precise o objeto de estudo no subtítulo. Nunca deixe de indicar o período, a instituição ou lugar de realização do estudo.  É aconselhável uma linguagem objetiva e clara com o uso de estilo acadêmico, evitando gírias ou termos coloquiais e ambíguos. Deve-se ter o máximo de cautela para utilizar os conceitos com exatidão, reduzindo os riscos de equívocos de interpretação. Como nem todos os conceitos são amplamente conhecidos, indicar sempre as referências para possibilitar uma compreensão plena do conteúdo do trabalho.

Além dos cuidados estilísticos e da adoção de uma estrutura padrão mínima um bom resumo necessita ser redigido na norma culta da língua, sem erros sintáticos ou de concordância, obedecendo a uma argumentação lógica.  No resumo a precisão e a concisão são dois aspectos imprescindíveis e complementares. A síntese do que se pesquisa, com que objetivos, com que metodologia ou referencial teórico e dos principais resultados não pode levar a um texto vago ou impreciso que impeça que este elemento estrutural básico em qualquer trabalho ou projeto acadêmico cumpra com a sua função. Um resumo tem em média 10 a 15 linhas e vem acompanhado de três a cinco palavras-chave diretamente relacionadas com o conteúdo. Em casos de resumos menores somente aumenta a exigência de poder de concisão do pesquisador. 

Com um abraço,

 Elias


sábado, 19 de março de 2011

Nem todo projeto de pesquisa se justifica

Não tenha a menor dúvida: nem todo projeto de pesquisa consegue apresentar justificativas para se sustentar e garantir a aprovação dos pareceristas e agências de fomento. Escolher um bom tema, que agrade ao pesquisador e atenda às demandas científicas e sociais, empreender uma revisão criteriosa da bibliografia de referência, definir conceitualmente e delimitar o objeto de estudo são passos importantes, mas insuficientes para elaborar um bom projeto. Sem uma justificativa que convença aos avaliadores dificilmente um projeto consegue aprovação. Nesta postagem vou indicar alguns aspectos que considero essenciais para defender uma proposta de pesquisa submetida à avaliação pelos pares. Todo bom projeto precisa passar com méritos por 5 regras básicas:
Regra 1 – Necessita apresentar uma proposta que seja relevante do ponto de vista científico, que contribua para comprovar, refutar, complementar lacunas ou, o que é mais raro, desbravar novas fronteiras no conhecimento. Como será julgado por pares especializados na questão que fique bem claro que superar a primeira barreira não é tarefa fácil. Se cumpriu com o dever de casa nas etapas de escolha de área para atuação, na definição do tema e na delimitação do objeto, meio caminho está andado. Tudo vai depender então da competência do pesquisador para utilizar estes aspectos como argumentos a favor na árdua tarefa de convencer seus avaliadores.
Regra 2 - Deve propor um projeto compatível com a política científica e tecnológica do país e das instituições financiadoras. Pouco recomendável é uma proposta que até pode ser muito relevante do ponto de vista do pesquisador ou mesmo de uma determinada organização se entra em contradição ou pior ainda está fora das prioridades para o fomento.  Jamais redigir uma justificativa sem consultar as normas do edital das agências para verificar em que medida o projeto pode ou não concorrer com chances de aprovação. Em caso de que a aderência seja somente parcial, atentar para o cuidado de apresentar as devidas alegações para que, mesmo estando fora das áreas prioritárias, quem financia deveria abrir uma exceção ou se arrependeria para o resto de seus dias. Se estiver bem formulado, quem sabe o argumento funciona!
Regra 3 – Além da relevância científica e da adequação à política científica e tecnológica do país e às áreas prioritárias das agências de fomento, nunca se esqueça de um pré-requisito sempre considerado básico: em que medida o projeto vai contribuir para melhorar as condições de vida na sociedade; em caso de financiada, que tipo de impacto a proposta terá sobre as áreas diretamente relacionadas com o objeto de estudos do ponto de vista acadêmico, profissional, econômico, cultural e social. As conseqüências que uma pesquisa pode ter para uma instituição, região, estado, país ou conjunto de países são um fato de grande relevância na hora de aprovação ou não de um projeto.
Regra 4 – Nas chamadas Ciências Sociais Aplicadas em que se enquadra o Jornalismo atente para o fato de que um projeto teórico provoca um tipo de conseqüências muito diferentes de um projeto que esteja relacionado com o desenvolvimento de inovações em parceria com os diversos segmentos da sociedade: governo, empresas, movimentos sociais, organizações não governamentais, sociedades científicas e acadêmicas ou órgãos multilaterais como ONU, CEPAL, Banco Mundial, OEA, UNESCO, etc... Em cada um destes casos (teórico ou aplicado) o pesquisador deve indicar de forma clara as articulações que serão estabelecidas a partir do projeto e em que medida estas parcerias contribuirão para viabilizar a execução da proposta e aumentar o impacto dos resultados.
Regra 5 - Nunca se deve tratar um projeto como um fato isolado. A melhor forma de justificar um projeto é demonstrar como a proposta representa uma continuidade no trabalho desenvolvido pelo coordenador da pesquisa. Neste caso, chamar a atenção para a contribuição do pesquisador ao longo de sua carreira, da relevância do grupo que participa, das articulações nacionais e internacionais que possui, dos financiamentos obtidos nos últimos cinco anos, dos resultados alcançados em pesquisas anteriores do ponto de vista teórico-metodológico ou da aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento de inovações, do número de profissionais formados e obras de referência publicadas. Se for um jovem pesquisador indicar local de formação, grupos de que participa, com quem estudou e prêmios recebidos.  Na próxima postagem trataremos das funções e das características dos objetivos no projeto de pesquisa. Aguarde.
  
Com um abraço,

Elias

terça-feira, 15 de março de 2011

Diferença entre metodologia e procedimentos


Em um projeto bem feito o pesquisador necessita estabelecer uma diferença clara entre a definição conceitual do referencial teórico que fundamenta a matriz metodológica que serve de parâmetro para a condução dos estudos e o conjunto de procedimentos utilizados para operacionalizar a execução das diversas etapas da pesquisa. É muito comum se constatar que falta aos projetos a parte de fundamentação porque, como vimos na postagem sobre os riscos de reificação das metodologias, em vez de construir um referencial teórico para o método que vai adotar o pesquisador se satisfaz com a simples enumeração das técnicas que serão empregadas nas diversas etapas do trabalho.
Trata-se de um erro elementar que deve ser evitado a todo custo. Uma das tarefas mais nobres de um projeto é justo a fundamentação e a problematização da matriz metodológica. Se não se concebe a metodologia como um modelo estático e atemporal a que o objeto está obrigado a se encaixar independentemente de suas particularidades e dos objetivos da investigação, cabe ao pesquisador, a partir da crítica da matriz existente, desenvolver uma metodologia apropriada e que possa dar conta das demandas propostas.
Tomada como uma etapa dinâmica que pressupõe a contínua problematização e atualização do referencial teórico adotado, a metodologia representa a possibilidade de uma contribuição original do pesquisador para sua área de estudos. Entendida nestes termos, a metodologia constitui-se ao lado da delimitação do objeto, da definição do problema e da revisão da literatura como as partes essenciais de um bom projeto. Feito o esclarecimento sobre os motivos para que a metodologia seja vista como um convite à discussão, vale um último comentário sobre os procedimentos.
Vulgarmente tratados como as técnicas arroladas para a execução da pesquisa, os procedimentos, muitas vezes, são confundidos com a própria metodologia. Nestes casos, existe a renúncia plena a qualquer problematização da matriz metodológica que ao que tudo indica seja desconhecida pelo pesquisador que se revela alheio a qualquer discussão de natureza epistemológica. Se quisermos elaborar um bom projeto tampouco podemos caracterizar os procedimentos como estáticos e naturalizados, uma vez que a opção por uma ou outra técnica ou mesmo a invenção de determinados procedimentos são decisões tomadas em decorrência da matriz metodológica construída, dos objetivos propostos e das particularidades do objeto.   

Com um abraço,

Elias.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os riscos da reificação das metodologias


Um dos erros mais comuns cometidos por quem elabora um projeto de pesquisa consiste em pensar que se pode definir o objeto e a metodologia sem maiores esforços. Ledo engano de quem pouco conhece das filigranas do ramo e, em parte, reforçado por uma tradição de manuais que estão mais preocupados em descrever modelos metodológicos estáticos que problematizar e discutir metodologias. Não vou negar que na dura tarefa de delimitar um objeto de estudo a revisão da literatura de referência e a consulta de manuais de metodologia são passos importantes. Mas tampouco posso esquecer de alertar de que são medidas insuficientes.
O equívoco está em julgar que a pesquisa cientifica depende da simples aplicação de métodos pré-estabelecidos em objetos previamente existentes como dados de uma realidade atemporal. Nada pode ser menos indicado para o avanço do conhecimento do que este tipo de mentalidade que desconhece que entre os desafios do pesquisador está o de inventar criativamente seus objetos e as metodologias apropriadas para atingir os objetivos traçados como metas.
Na construção pelo pesquisador de seus objetos e metodologias existe uma relação entre o que se recupera da tradição conceitual e metodológica, que recolhe como parêmetro modelos aplicados a objetos similares em outros lugares ou épocas, e o que se conforma como contribuição única de cada novo projeto. Em vez de ponto de partida, objeto e metodologia são pontos de chegada na etapa de produção do projeto. A definição do objeto pressupõe a sua contrução teórica. A simples descrição de aspectos particulares ou a indicação de um corpus de análise são insuficientes para delimitar um objeto em termos conceituais.
Sem a fundamentação epistemológica e a delimitação teórica e/ou empírica do objeto não se pode avançar para a discussão da metodologia que será adotada. A construção do referencial teórico da metodologia indica o grau de articulação que existe entre os saberes acumulados tomados como parâmetros de orientação para quem pesquisa e as lacunas inevitáveis porque se trata de um objeto em parte sempre novo e que requer do pesquisador a crítica, a criação e aperfeiçoamento de métodos e procedimentos de pesquisa. 

Com um abraço,

Elias

quarta-feira, 9 de março de 2011

A partir de hoje blogue cria conta no Twitter

A partir de hoje teremos uma conta no twitter @metpesqjor para melhor divulgar as informações que publicaremos neste blogue. De nossa experiência como professor de Metodologias de Pesquisa desde 1993 na FACOM/UFBA e mais recentemente no DEJOR/UFSC e na condição de consultor para o CNPq, CAPES, GT de Jornalismo da COMPÓS, INTERCOM e FNPJ percebemos que existe uma necessidade urgente de debate sobre os pressupostos metodológicos aplicados aos projetos desenvolvidos na área de Jornalismo. Daqui para frente iremos compartilhar com os colegas as deficiências, as limitações e os avanços que verificamos na literatura de referência, nos projetos que avaliamos e nas discussões que participamos em congressos nacionais e no exterior.  Contamos com o apoio de todos para difundir nossa conta.

Com um abraço,

Elias.

Uma leitura recomendável de Adorno

Quem está começando a desenvolver projetos de pesquisa deveria ler com atenção Introdução à Sociologia, de Theodor Adorno,  um conjunto de 17 aulas ministradas em plena crise de 1968 e publicado em português pela UNESP, em 2008.  Entre as muitas sábias lições, Adorno recomenda que não se pode reificar a metodologia e que tampouco se deveria subjugar o objeto/assunto ao método. Bem ao contrário, da relação dialética entre método e assunto/objeto é que se desenvolve a metodologia. Vale a leitura!

Com um abraço,

Elias.

terça-feira, 8 de março de 2011

Retomada do blogue neste semestre

Depois de mais de dois anos inativo, em paralelo às atividades que desenvolvo relacionadas ao ciberjornalismo no Laboratório de Pesquisas Aplicadas em Jornalismo Digital (LAPJOR), neste semestre retomarei as postagens no blogue. Como começo um novo projeto de pesquisasobre Metodologias de Pesquisa em Jornalismo e ministarei a disciplina Técnicas de Projetos no Curso de Jornalismo da UFSC vou aproveitar para manter as leituras em dia. Espero que possamos manter uma boa discussão e uma interlocuação ativa daqui para frente.

Com um abraço,

Elias.